come to terms with disorder – e eu já não podia ouvir

é fácil de ver o início das coisas e mais difícil de ver o fim. eu me lembro agora, com uma clareza que faz os nervos da minha nuca se contraírem, quando nova york começou para mim. mas não consigo me lembrar com exatidão o momento em que terminou.
tudo o que sei é que ficou muito ruim quando eu tinha 28 anos. tudo o que me diziam, eu parecia já ter ouvido antes. e eu já não podia ouvir. eu magoei pessoas de quem eu gostava e insultei aqueles com quem não me importava. eu chorei até eu nem perceber que estava chorando. chorei em elevadores, táxis e em lavanderias chinesas. aquele foi o meu 28o. ano, quando comecei a entender a moral da história, que é claramente possível se habituar a viver mal.
joan didion

e também, ter 28 anos para o bem ou para o mal é também não se importar mais com:

– as pessoas
– os dizeres
– os fatos
– o histórico
– meu histórico
– eu mesma, o que eu “acho”
– o porquê dos fatos

mas muito focada (e tentando continuar focada, o que nem sempre é possível) em algo muito simples.

o que eu posso fazer?

não sei mais como escrever sobre temas pessoais em público, isso é se jamais o fiz. privadamente é claro, o rio corre longe, mas isso de público… eu não sei como me portar. mas sigo aqui porque quem sabe, futuramente, transformo em outra coisa. a ideia por enquanto é ser esse mural, e alguns desabafos antigos.

 

inferno astral

When the fear settles in
When absurdity grabs me by the hand
When my future’s gone dim
When my thick’s turned thin
Look away
And when my face turns spoilt
Just cause I won’t do what I’m told
When I break like a child
‘Cause I won’t get it all
Walk away

And when I say, I can’t bear
Holding on to what will be taken away
When I’d rather let go
And pretend all is lost
Look away
And when my eyes sink deep
And I’d rather kill what I can’t keep
When I beg for your pity
‘Cause I want you as low as I
Look away

Imagem de Amostra do You Tube

& merci, lou doillon por fazer 2 discos que dissecaram e expuseram todas as merdas que já senti nesses (em breve completados) 28 anos. meu ano não começou.

dancer

Pina Bausch, Paris 1990

…a very important part of the training was to have a foundation – a broad base – and then after working for a lengthy period of time, you had to find out for yourself, what have I to express. What have I got to say? In which direction do I need to develop further? Perhaps this is where the foundation stone for my later work was laid.

By that time I had already realized that in extremely difficult situations a great calm overcame me, and I could draw power from the difficulties. An ability in which I have learnt to trust.

pina bausch

(ph ao lado: bill henson)

nova promessa

de set ’16

o mundo será meu, um mundo meu
será seu também, se assim o quiser
quero jardim na alma e asfalto no pé
gritar e cantar na ponta dos pés
dançar com o réu da trama
ser livre no meu coração
ter os filhos de quem eu quiser
casar para quem quiser ver
sem cerimônias, na velocidade da
minha luz
nascerei tarde, mas serei minha

(ph: maya angelou)

i could just go forever

…I think being on the road, alone — that’s a real sense of ‘home’ for me. It makes me really happy, there’s such a sense of comfort in a long haul transit for me. I could just go forever, really.

entrevista da musa miso, com a frase e a ideia mais romântica que eu li nos últimos tempos.

i don’t do the dishes i throw them in the crib

a matéria linda do pitchfork que cita as principais músicas do movimento punk feminista, me lembrou minha própria trilha sonora adolescente cheia de gritos femininos.

até hoje, ouvir alguns clássicos daquela época me dá arrepios, mas nada parece tão, tão impactante quanto as músicas do hole. é engraçado, hole é uma daquelas bandas que esqueço de escutar. acabei nunca baixando no computador porque tenho 2 CDS deles e isso me deixa segura de certa forma — as músicas sempre estarão comigo.
mas quando penso em punk feminista, penso em hole.

quando você lê a biografia da kim gordon (também ídolo eterno do punk feminista), fica claro o quanto a courtney love é uma persona muito difícil de compreender. as histórias sobre ela são mais cheias de ‘intenções’ que as sobre a marilyn monroe, passando por anedotas de dar medo. mas penso que especificamente, quando falamos de mulheres que conseguiram verbalizar realidades tão ocultas e íntimas, penso primeiro nela e eu acho que ela realmente fez um trabalho incrível. mesmo que brevemente, mesmo que ela não tenha “chegado lá” da forma mais honesta possível (quem é que de fato sabe?), she did it. acho importante que pelo menos uma única vez a gente se concentre nisso a p e n a s, como fazemos com ídolos masculinos o tempo todo.

a música que sempre vem na minha mente quando penso em transgressão pura, é a plump. o jeito que ela canta em total desdém… é um grito de desdém! não é desespero ou mesmo revolta, é pura indiferença. como se ela estivesse falando o óbvio, como se fosse ridículo qualquer um esperar reações diferentes dela. é poderoso! o instrumental parece galopar e atropelar, e se não é entendível, a courtney repete a mensagem.

I’m eating you
I’m overfed
Your milk’s in my mouth
It makes me sick

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